quarta-feira, 22 de agosto de 2012

PRIMEIRO SEMINARIO TRANSFORMAÇÕES DA TERRA - REVELANDO O QUE NINGUEM TE CONTA

SEGUNDO SEMINÁRIO TRANSFORMAÇÕES DA TERRA - REVELANDO O QUE NINGUEM TE CONTA

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

AOS ESPÍRITOS IMPERFEITOS

Orgulho: porta aberta aos Espíritos imperfeitos

José Queid Tufaile Huaixan

A história da humanidade é marcada por lutas sangrentas na busca do homem pela liberdade de pensar e agir. O mundo ainda se debate para aperfeiçoar seus sistemas políticos tendo em vista alcançar a sonhada democracia. O Espiritismo, doutrina enviada ao mundo por Jesus Cristo como cumprimento de sua promessa consoladora, contribuiu sobremaneira para termos acesso a uma nova visão da vida na Terra e nas dimensões que se estendem além da morte. Se absorvida pela humanidade, a Codificação poderia trazer o tão querido reino de paz e justiça para os homens.

Mostra-nos a doutrina que a criatura humana pode e deve ser livre. Para isso, conscientiza-a de suas responsabilidades perante seus atos. Demonstra que só pode haver um estado de direito, onde há liberdade com responsabilidade. Se não foi aceita pela humanidade, pelo menos em nós deveriam florescer os ideais nobres da razão. Allan Kardec foi um livre-pensador por excelência. Conosco já não acontece o mesmo. Cresceu em nossas fileiras um mal chamado preconceito, onde não se permite a crítica.

O trabalho que apresentaremos aqui, não se trata de posicionamento pessoal ou de teoria radical. Nossa exposição é uma visão crítica, um ponto de vista acerca de uma enfermidade moral que vem sufocando aos poucos o trabalho do Espírito de Verdade. O agente deste mal é o orgulho.

O orgulho

O orgulho e o egoísmo andam de mãos dadas. São sentimentos onde o amor-próprio procura preservar a individualidade em prejuízo da vida coletiva. Todos nós trazemos suas marcas na conduta, em face de estarmos ligados ao instinto de preservação. O Espírito quando está em sua fase animal vive a plenitude dos instintos. Na impossibilidade de raciocinar, procura instintivamente preserva-se das intempéries do meio. Entre os interesses de um indivíduo e de outro, valem os interesses da individualidade. Isso é o egoísmo e o orgulho.

A medida que o Espírito evolui, passando por milhares de encarnações em variados mundos, adquire pouco a pouco a inteligência, que vai gradualmente se sobrepondo ao instinto. Com o raiar da civilização, sente necessidade da vida social, passando também a preocupar-se com o próximo. Isso é a iluminação. Este processo é lento e se desenvolve com o passar dos séculos.

Mais tarde, tomando consciência da Lei Divina que nos orienta, melhoramos o comportamento passando a ter maior domínio sobre o orgulho. Este sentimento, comum a todos nós, pode ser excitado pelo meio em que vivemos, pelas paixões e pelos maus Espíritos. Por isso, Jesus Cristo, o divino professor, recomendou o "orai e vigiai para que não entreis em tentação".

Na vida religiosa, o orgulho se desenvolve de modo especial. Devido à idade espiritual heterogênea, os homens geraram uma multiplicidade de religiões, cada qual interpretando a teoria divina a seu modo. Acreditam que por estar nesta ou naquela seita já estão salvos. No movimento espírita vem acontecendo coisa bastante parecida. Os Espíritos Superiores demonstraram que a salvação se dá por obras morais. Em nenhum momento disseram que só os espíritas se salvam, mas sim os que praticam o bem. O espírita tornou-se invigilante em sua conduta, deixando-se dominar por vícios grosseiros. O sentimento de valorização pessoal cresceu e desobrigou-nos de seguir a bandeira espírita, que diz ser verdadeiro cristão aquele que se esforça constantemente para dominar as más inclinações.

A influência do orgulho na vida do homem

"O egoísmo e o orgulho matam as sociedades particulares, como matam os povos e as sociedades em geral. Lêde a história e vereis que os povos sucumbem sob o amplexo desses dois mortais inimigos".

Estas são palavras do Codificador do Espiritismo e exprimem sua preocupação com a erva daninha chamada orgulho. Se examinarmos a história dos grandes impérios que existiram na Terra, tais como: o Egípcio, o Assírio, o Babilônico, o Medo-Persa, o Grego e o Romano, é simples concluir que a causa de suas destruições esteve sempre intimamente ligada ao orgulho.

O sentimento de importância despertado por ele põe por água abaixo as relações sociais dos povos e dos grupos. Entre nós, o orgulho tomou uma forma especial, pois se vestiu com o manto da humildade, das aparências. Durante anos fomos condicionados a nos manter calados perante o erro. Esta atitude derivou da má interpretação de mensagens espirituais e do radicalismo assumido por alguns líderes espíritas. Há entre nós vestígio de hipocrisia, um mal já presente no tempo de Jesus Cristo.

O orgulho e a hipocrisia

O orgulho tem a tendência de criar em torno da criatura verdadeira prisão. Quando se faz manifesto num grupo, exalta-lhe o amor próprio a ponto de distorcer-lhe a razão e a capacidade de julgar o bem e o mal. Leva-o a fechar-se em si mesmo, valorizando-o em seu sentimento de importância. Afasta-o das pessoas comuns, pois para ele tudo que é simples é inferior.

Aparecem o elogio desmedido, a troca de honras, pompas, reconhecimentos públicos e a adoração de personalidades. É o afastamento do homem da sua relação com Deus. Abrem-se as portas para o domínio dos maus Espíritos e a terrível fascinação.

"De todas as disposições morais, a que maior entrada oferece aos Espíritos imperfeitos é o orgulho. Este é para os médiuns um escolho tanto mais perigoso quanto menos o reconhecem".

Allan Kardec demonstra neste pequeno texto, o grande perigo a que estamos sujeitos nas relações com os Espíritos, em face do orgulho.

O risco da fascinação é uma constante. Está presente com maior probabilidade em duas situações distintas: na primeira, junto aos grupos novatos. Os que se iniciam na prática do Espiritismo devem armar-se de cuidados por causa da euforia. A sede do fazer, aliada à inexperiência pode levá-los a situações de perigo. É conveniente que os neófitos busquem trocar experiências com outras sociedades mais amadurecidas. É preciso precaver-se contra uma idéia comum: a de que se tem uma missão a cumprir. É uma tentação pela qual quase todos passam.

Na segunda situação, temos o mais grave. A fascinação pode instalar-se em grupos que já passaram da meia idade. O excesso de confiança nos Espíritos, o desleixo com a vigília, o envolvimento pela falsa humildade são os caminhos da obsessão. Na fascinação o orgulho se faz extremamente manifesto.

Por estarem embasados na experiência, essas sociedades descuidam-se e acabam vítimas da nefasta influência dos fascinadores. Ainda é de Kardec a afirmativa de que infelizmente o orgulho é um dois defeitos que somos menos inclinados a reconhecer e que é difícil dizer aos outros que seus problemas são provenientes do orgulho. Certamente não acreditariam.

"Podeis dizer a um homem que ele é bêbado, debochado, preguiçoso, incapaz e imbecil; ele rirá ou concordará; dizei-lhe que é orgulhoso e ficará zangado".

O orgulho e o movimento espírita

O orgulho destruiu a organização de muitas sociedades do passado. Sabemos que sua ação imperiosa foi a grande responsável também pela desagregação da Igreja. Por séculos manteve-se ela fechada em idéias que julgava certas, afastando-se progressivamente do povo, ocupando-se de paramentos e atos de exterioridade. Homens corajosos, como João Huss (1369-1415), Martinho Lutero (1483-1546), João Calvino (1509-1564) e seguidores, ergueram suas vozes e disseram: Basta! Promoveram reformas destinadas a tirar a prática do cristianismo da ilusão do orgulho, aproximando-a dos necessitados.

Façamos algumas perguntas a título de reflexão: depois do testemunho da história e do alerta dado pelos Espíritos acerca do orgulho, nós espíritas teríamos caído no mal da invigilância? Teria aparecido entre nós o personalismo, o mal da idolatria? Não estaríamos exagerando, crendo na salvação pelas obras exteriores? O Espiritismo estaria se distanciando do povo? Será que a forma mansa com que nos expressamos não esconde uma ponta da hipocrisia dos antigos fariseus? Que males teria trazido o orgulho para o movimento? Teriam os maus Espíritos comprometido parte da comunidade? Quanto? Vale a pena fazermos uma reflexão sobre essas questões e trabalharmos para nossa melhoria pessoal e, por conseqüência, do próprio movimento.

O mal e o remédio

A humanidade vem nos últimos anos passando por transformações assustadoras. A influência da matéria sobre a vida cresce incessantemente. Os valores morais estão sendo corrompidos com extrema rapidez. Nunca o mundo precisou tanto do Espírito Consolador como neste tempo em que vivemos. O Espiritismo pode fazer muito ao homem na época atual. Talvez, esteja em nossas mãos a tarefa de constituir grupos capazes de enfrentar a transição que se aproxima. Estaríamos preparados para isso? Sim, temos uma estrutura material capaz de cumprir com esse papel; porém, nossa estrutura moral e espiritual está abalada. Se vivêssemos um tempo de provações coletivas, dificilmente suportaríamos. Como estamos, não serviríamos de elemento aglutinador.

Temos, pois, que fortalecer a nós mesmos, nossas sociedades e o nosso movimento. Para influenciarmos o mundo, temos que estar unidos. Unidos em pensamentos, em práticas, em fins, fundamentalmente. Fora disso não há união. Unificação por dentro. Esta sim é difícil de se promover, pois depende de discussão, aceitação, argumentação, renúncia, humildade e trabalho. Ainda que sejamos poucos, se pensarmos juntos, teremos forças. De que servem milhares de núcleos que não se entendem entre si? Que poderão fazer no grande trabalho coletivo que nos espera? As deficiências das casas, o desânimo, o desinteresse que se multiplica pelas coisas de Deus são claros testemunhos de que algo vai mal. Reflexão, discussão, participação, conclusão, renovação, eis os remédios.

Comecemos por aplicá-los. O primeiro trabalho é a nível pessoal. Perguntemos: como temos vivido moralmente? A vida com esposa, esposo, filhos, patrão e empregados? Temos cultivado o amor para com o próximo? Como é o nível real de nossos conhecimentos? Qual a verdadeira experiência que temos com os Espíritos? Somos um trabalhador espírita ou só um freqüentador? Existe omissão frente as nossas responsabilidades pessoais?

A seguir, a vida espírita do grupo. Como tem sido nosso trabalho? Há controle dos tratamentos espirituais para saber se são produtivos? Nosso trabalho mediúnico é organizado? As sessões de passes necessitam de melhorias? Há escolinha de evangelização infantil, escola para iniciantes no conhecimento espírita? Temos participado financeiramente da sociedade, para ajudá-la em suas obras? A sociedade não espírita recebe alguma influência do trabalho? Há propaganda a respeito do Espiritismo? E a feira do livro, não está esquecida? Temos reunido nossa diretoria para discutir todos esses temas?

Por fim, o movimento. Que temos feito por ele? Participamos dos Encontros, Eventos, Congressos?

Contribuímos com idéias novas, com experiências pessoais, ou nos limitamos a ouvir? Temos trabalhado pela causa? A causa tem afetado nossa vida pessoal? Frente aos desmandos, temos nos mantido calados? Não estaríamos sendo coniventes com o erro? Temos procurado estudar os problemas que envolvem a prática espírita?

O Espiritismo é uma doutrina dinâmica. Deve estar em constante mudança e atividade. A inércia é sua condenação. É preciso pensar, opinar, participar. Ainda que nosso pensamento seja errado, isso não importa. Mais cedo ou mais tarde, encontraremos quem nos esclareça pela razão. Basta sermos flexíveis para aceitar mudanças no posicionamento.

O silêncio pode parecer humildade mas nem sempre é sinal de sabedoria. Hoje, quem não participa fica para trás. A reflexão, a auto-crítica pessoal e coletiva, é o grande remédio para diminuir a ação enfermiça do orgulho sobre nós. Tiremos do nosso coração a idéia de que no "céu" há um mundo onde convivem os de aparência de mansidão. Este é o paraíso forjado pela Igreja. No além, nos mundos de luz, convivem os que têm a sinceridade da mansidão e os que lutam pela transformação das coisas.

FAMÍLIA CAMPO DE PROVAS E EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO

família é o campo de provas para a evolução do espírito


“Todos os vínculos afetivos possuem a mesma função: criar um ambiente adequado para a vivência do que é nobre e para a superação do que é imaturo”.

Trecho do livro Nascer Várias Vezes


Familiares com diferentes personalidades e diferentes níveis evolutivos têm nos vínculos afetivos a principal força que dificulta a separação física e emocional. O vínculo é necessário para mantê-los juntos o tempo suficiente para serem obrigados a interagirem.

Vínculo, portanto, força a interação e a troca. A troca entre espíritos em evolução (os membros da família) envolve o que é bom e o que é ruim.

O espírito não nasce em qualquer família, ele nasce na família que é capaz de lhe oferecer o bom e o ruim que ele precisa. É uma complementação recíproca. As vezes, esta complementação produz experiências muito difíceis, pois a imaturidade de um pode ser fundamental para estimular a evolução do outro. 

Veja este exemplo: um pai extremamente controlador teve um filho extremamente egoísta e raivoso. Enquanto o pai foi controlador, apenas aumentou suas dificuldades com o filho. Graças à personalidade conturbada do filho, o pai conseguiu superar esta tendência negativa de controlar/manipular o outro. Seu espírito aprendeu uma importante lição; e pode (anos depois) ajudar o filho na superação do traço egoísta. O vínculo entre os dois se manteve por décadas, apesar das desavenças. Esta proximidade afetiva foi fundamental para a evolução dos dois.

O vínculo afetivo dura dezenas de anos. Deus organizou a vida desta forma porque sabe que uma das mais importantes necessidades humanas é a paciência. Deus é o exemplo. Tem paciência conosco; Ele sabe que poderíamos ter evoluído muito mais ao longo de centenas de encarnações. Mesmo assim não desiste nunca de cada espírito que Ele gera. Deus é perseverante e, por ser muito evoluído, mantém sua satisfação mesmo sabendo dos espíritos que teimam em não evoluir. Este é o modelo a ser seguido por pais e filhos, irmãos e irmãs: seguir o caminho nobre mesmo que o outro não o faça; focar em ofertar o que é nobre mesmo que o outro não consiga retribuir.

A família é o campo de provas dos espíritos, principalmente dos espíritos mais evoluídos. Vivendo em família, eles terão mais a ofertar do que os outros membros menos evoluídos. O orgulho torna muito difícil a situação na qual se oferta bastante e a retribuição é pouca. Todavia, o espírito mais evoluído deve ter a consciência de que sua evolução somente terá continuidade se ele enfrentar o seu orgulho. Dentro dele surgirá o boicote à sua evolução, pois seu ego lhe causará mal estar por estar sendo “bobo” ou sofrendo “à toa”. Esta é uma das batalhas em família; parte da luta acontece na relação com os outros membros da família e parte acontece internamente.

Viver em família é lidar com um conjunto de forças internas e externas que mobilizam as pessoas para enfrentarem o desafio de suas missões de vida. Quem aproveitar este desafio irá evoluir e terá como prêmio a superação facilitada de todos os problemas e o usufruto maior de todas as qualidades e oportunidades.

sábado, 18 de agosto de 2012

JESUS CRISTO O FILHO DE DEUS - VISÃO ESPÍRITA

Jesus Cristo, o filho de Deus (visão espírita)

Autor: Rubens Policastro Meira

Filho de Deus

Quando falamos de Jesus como Filho de Deus, os homens geralmente costumam interpretar como se Jesus fosse um ser Divino, em termos de igualdade com Deus. Tal interpretação prende-se aos "milagres" que Jesus teria efetuado, como se tais fatos fossem uma prova de sua divindade.

A Doutrina dos Espíritos não invalida os "milagres" do Evangelho e de outras escrituras do mundo, mas lhes tira o caráter de ocorrências sobrenaturais, enquadrando-as nos conceitos das concepções naturais do Universo e do homem.

Jesus é Filho de Deus como todas as criaturas. Ele o chama de Pai, como nos ensinou a chamá-lo de nosso Pai.

É evidente que a qualificação de Filho do Homem significa: nascido do homem, por oposição ao que está fora da humanidade. Jesus usava para si aquela qualificação com persistência notável, e somente em raríssimas vezes é que ele se diz Filho de Deus. Em seus lábios, não pode ela ter outra significação que não seja para lembrar que ele também pertence à Humanidade.

A insistência com que ele se qualifica de Filho do Homem parece um protesto antecipado contra a denominação que previa lhe dariam mais tarde, a fim de que ficasse bem provado que não saíra de sua boca (ver Obras Póstumas - Allan Kardec -Estudo sobre a natureza do Cristo).

A palavra Cristo

Este título, Cristo, derivado do grego, equivale ao hebraico Messias; Ungido. O nome pessoal de Jesus, seguido pelo titulo Cristo, serve para chamar a atenção para a própria pessoa, e que ele é aquele que se tornou o Ungido de Jeová.

A tradução da Septuaginta das Escrituras Hebraicas usa a mesma palavra grega KHRISTOS mais de 40 vezes, como titulo de sacerdotes, reis e profetas ungidos. Da mesma forma, o titulo Messias é aplicado a muitos homens, na qualidade de ungidos.

Jesus, o homem

Para fazermos com que Jesus volte a ter vida, hoje, para nós, teremos de voltar no tempo para procurarmos o que Jesus tinha a oferecer às pessoas da Palestina à sua época, a fim de conhecermos a verdade histórica a seu respeito.

Apesar de os Evangelhos terem sido escritos entre os anos 60 e 80, ou seja, muito tempo após os fatos ocorridos, podemos obter grande quantidade de informações históricas sobre o Mestre.

O que Jesus tentava fazer? Um incidente historicamente certo nos daria um indicio importante sobre a direção do seu pensamento. Encontramos tal incidente no inicio de todos os Evangelhos: Jesus escolheu ser batizado por João. Por quê?

Seja o que for que o batismo possa significar, tal fato implica na decisão de Jesus de se juntar, de se demonstrar aliado a João, em vez de seguir quaisquer outras lideranças ou movimentos da época. Isso nos demonstra indícios da direção do pensamento de Jesus.

A Palestina, à época era uma colônia romana. Este fato era odioso para os Judeus que ansiavam pela sua libertação. Houve várias rebeliões para sacudir o jugo de Roma. Os impostos eram altos, e isso levava uma grande parte da população ao desespero, à miséria, à fome.

No meio de todos esses movimentos e especulações político-religiosas, um homem se sobressaia como sinal de contradição. Tratava-se do Batista.

João era diferente de todos, justamente porque era profeta, e na verdade, como tantos outros predecessores, profeta de condenação e de destruição. Enquanto muitos esperavam pelo tempo vindouro, em que o povo fiel de Israel triunfaria sobre seus inimigos, João profetizava a condenação e a destruição de Israel.

Há muito tempo não surgia profeta algum em Israel. O espírito da profecia cessara. Deus estava em silêncio. Esse silêncio foi quebrado pela voz de João no deserto. Seu estilo de vida, seu modo de falar e mensagem eram o renascimento consciente das tradições dos profetas. Sua mensagem era simples. Deus estava irado com seu povo e pretendia castigá-lo.

Usava as metáforas do machado e da pá, que são as metáforas dos profetas. O julgamento de Deus sobre Israel seria executado por um ser humano. João falou dele como "aquele que há de vir", "Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo" (Mateus 3:11-12).

O objetivo prático era de converter o povo, persuadir as pessoas a mudarem de atitudes , a arrependerem-se de seus erros. João dirigia seu apelo aos pecadores, prostitutas, coletores de impostos, soldados, bem como aos escribas e fariseus. (Lucas 3:12-14 e Mateus 21:32).

João concitava as pessoas àquilo que chamamos hoje, de moral social. "Quem tiver duas túnicas reparta-as, quem tiver o que comer faça o mesmo."

Aos publicanos, disse: "Não deveis exigir nada além do que vos foi prescrito"; aos soldados disse: "A ninguém molesteis com extorsões, contentai-vos com o vosso soldo" - (Lucas 3:11-14).

João foi o único homem naquela sociedade que impressionou Jesus. Ali estava a voz de Deus avisando seu povo. Jesus acreditava nisso e juntou-se aos que estavam decididos a fazer algo nesse sentido. Foi batizado por João. Possivelmente Jesus não tenha concordado com João em todos os detalhes. Chegou mesmo a divergir de João em alguns pontos. Mas o fato, à época, de ter sido batizado por João é prova concludente de sua aceitação as propostas formuladas por ele. Esta aceitação está em Jesus imediatamente ter mostrado que discordava fundamentalmente de todos os que rejeitavam João e seu batismo: os zelotas, fariseus, essênios, saduceus, escribas etc.

As ovelhas perdidas do Pai

Muitos consideravam Jesus como sucessor de João. E possível que Jesus tenha batizado algumas pessoas, mas se isso aconteceu, logo abandonou essa prática. (João 3 :22-26 e 4: 1-3). Em vez disso, partiu a procurar, ajudar e servir às ovelhas perdidas do Pai.

Encontramos, dessa forma, uma segunda decisão, um segundo indicio para verificarmos qual o pensamento e intenções de Jesus. Quantos eram, no contexto, à época, as ovelhas perdidas?

As pessoas a quem Jesus voltou sua atenção, conforme os Evangelhos se referem, são os pobres, os cegos, os coxos, os aleijados, os leprosos, os famintos, os miseráveis (aqueles que choram), pecadores, prostitutas, coletores de impostos, endemoninhados (obsediados), os perseguidos, os esmagados, os cativos, todos os que labutam e estão sobrecarregados, a ralé que nada conhece da Lei, as multidões, os pequenos, os que são menos que nada, os últimos e as criancinhas.

Jesus geralmente se refere a eles como os pobres ou os pequeninos; os fariseus se referem às mesmas pessoas como os pecadores. Hoje esses segmentos da sociedade são referidos como classes inferiores por uns e oprimidos por outros.

Por Jesus, podemos verificar que a verdadeira história da humanidade é a história do sofrimento, o que muito pouco ou nada é tratado nos livros que tratam desse assunto.

Para compreender Jesus, precisamos tentar entrar no mundo dos pobres e oprimidos tal como era na Palestina do século I.

Embora o termo "pobre" nos Evangelhos não se refira exclusivamente àqueles economicamente despossuídos, certamente os inclui. Em primeiro lugar, os pobres eram os mendigos. Esses eram os doentes e aleijados que haviam recorrido à mendicância, uma vez que não tinham possibilidades de serem empregados e não tinham parentes que pudessem ou quisessem sustentá-los. Evidentemente, não havia hospitais, nem instituições de assistência social, nem pensões por invalidez. Esperava-se que mendigassem seu sustento.

E assim, os cegos, os surdos-mudos, os coxos, os aleijados e os leprosos geralmente eram mendigos.

Verifica-se que passados 2.000 anos, o cenário ainda é o mesmo. Basta olharmos o mundo ao nosso derredor. Hoje possuímos hospitais, instituições de assistência e pensões, que não funcionam, ou funcionam precariamente em virtude do desmando, da corrupção que campeia a largos passos no planeta.

Continuando na pesquisa, havia, à época, as viúvas e os órfãos: mulheres e crianças que não tinham quem as sustentasse; também não tinham naquela sociedade, nenhum modo de ganhar a vida. Deveriam depender das esmolas de sociedades piedosas e do tesouro do Templo. Tal como hoje, nada difere.

Entre os economicamente pobres, à época, incluem-se os operários diaristas não qualificados, os que se encontravam freqüentemente desempregados, os camponeses, e talvez, os escravos. Como a história da humanidade se repete! Hoje como ontem.

As pessoas se encontravam à mercê de reis e tetrarcas bem como por seus representantes que as oprimiam e freqüentemente eram sangrados pelos impostos.

Os pobres e os oprimidos estavam sempre à mercê de legistas que os sobrecarregavam com fardos legais e nunca levantavam a voz para os aliviar; eram excluídos da sinagoga.

Este era o mundo dos "oprimidos, dos "perseguidos" e dos "cativos". (Lucas 4:18; Mateus S:10). Hoje seriam chamados de oprimidos, marginais ou miseráveis - as pessoas que não contam.Jesus não era, por nascimento e educação, um dos pobres e oprimidos, mas se misturava socialmente com o último dos últimos e se identificava com eles. Ele se tornou pária por escolha.Porque Jesus fazia isso?

Porque conversava com mendigos e se misturava com os pobres? O que faria um profeta se associar à ralé que não conhecia nada da Lei? A resposta surge clara nos Evangelhos: a compaixão, o Amor pelo próximo.Tal fato está patente, demonstrado, em todos os processos de cura. O que tornou diferente o samaritano da parábola, foi a compaixão, o amor que sentiu pelo homem deixado semimorto à beira da estrada. (Lucas 10:33). A compaixão é resposta ao sofrimento. João confiava em um batismo de conversão; Jesus partiu para libertar as pessoas de toda forma de sofrimento e angústia. Como? Jesus depositou sua confiança na fé. O único poder que pode curar e salvar o mundo, é o poder da fé. "Tua fé te salvou". Não a fé obtida por aderência a um credo ou doutrina religiosa. Mas a fé certeza, a fé convicção, a fé obtida pelo esclarecimento da razão. E Jesus transmitia, com suas curas, ensinos, a fé àqueles seus amigos que representavam a pobreza, o sofrimento, espelhados nos oprimidos e desditosos. Somente a fé, no sentido de certeza, pode despertar a criatura do conformismo, da apatia, gerados pela fome, pela miséria, pela falta de compaixão existentes.

A missão reveladora de Jesus

Naquele dia. 14 do mês de Nisã, aproximadamente à hora nona, aquele Homem expirava entregando-se em Espírito ao Pai. Naquele instante, encerrava-se na terra uma Missão Reveladora, que perpetuaria pelos tempos afora. Uma Revelação somente é séria e verdadeira quando altera, quando transforma os conceitos existentes na face da terra. Tal como Jesus. Ele alterou a história da Humanidade, dividindo-a em A.C. (Antes do Cristo) e D.C. (Depois do Cristo). Este fato comprova sua Missão Reveladora. Sua missão constituiu-se de revelar ao homem uma nova concepção de Deus, uma nova concepção de vida; a vida futura, assim como as penas e recompensas que aguardam o homem após o desencarne. Na nova concepção de Deus ensinamos que Ele não é o Deus terrível, ciumento, vingativo, de Moisés; aquele Deus cruel, implacável e injusto; mas sim, um Deus de Amor, Justo, que perdoa aquele que erra e que dá a cada um segundo suas obras. Já não é o Deus de um único povo, mas o Pai de todo o gênero humano. Já não é o Deus que recompensa e pune somente pelos bens da terra, que faz que a glória se consista na escravidão dos povos rivais, mas sim, um Deus que diz aos homens: "A vossa verdadeira Pátria não é deste mundo, mas no reino celestial, onde os humildes de coração serão elevados e os orgulhosos serão humilhados". Já não é o Deus que ordena se retribua olho por olho, dente por dente, mas o Deus de misericórdia que diz: "Perdoai as ofensas se quereis ser perdoados; não façais o que não quereis que vos façam". Com isso firma-se uma nova concepção de relações sociais entre os povos.A Doutrina de Jesus se fundamenta no caráter que ele atribui a Deus. Com um Deus imparcial, justo, bom e misericordioso, ele fez do Amor de Deus e do Amor ao próximo a condição essencial para o cumprimento da Lei dizendo: "Amai a Deus sobre todas as coisas e o vosso próximo como a vós mesmos; nisto estão toda a Lei e os profetas; não existe outra Lei". Sob este dístico assentou o principio da igualdade dos homens perante Deus e o da fraternidade universal. Ensinando a revelação dos verdadeiros atributos de Deus, ensinando a imortalidade da alma e da vida futura, ensinando e exemplificando o amor ao próximo, pela compaixão aos sofredores de todo jaez, modificava profundamente as relações mútuas dos homens, impunha-lhes novas obrigações, fazia-os encarar a vida presente sob outro aspecto. Pelas suas conseqüências, é esse o ponto, o cerne da Missão Reveladora de Jesus, cuja importância, ainda hoje, não é bem compreendida, e ante a visão que se tem da sociedade humana, demonstrado fica que a sociedade tem desconhecido e afastado, deliberadamente na sua grande maioria, dos seus exemplos e ensinos. (A Gênese - Allan Kardec Caráter da Revelação Espírita).Precisamos estar atentos uma vez que "a opção pelo Mestre é uma decisão de largo tempo, sem o entusiasmo da primeira hora, que passa e leva à desistência, nem a reflexão muito demorada, que perde a oportunidade. Tornada a resolução, é indispensável abraçar a cruz, não olhar para trás e seguir.

O reino de Deus

A atividade de Jesus, como se fôra um programa, está em Lucas 4:16-21, que consubstancia uma passagem de Isaías, lida e comentada por Jesus, na sinagoga de Nazaré."O espírito do Senhor Javé está sobre mim, porque Javé me ungiu; enviou-me a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os quebrantados de coração, a proclamar a liberdade aos cativos, a libertação aos que estão presos; (ou: a proclamar uma nova visão aos cegos) a libertar os esmagados a proclamar um ano aceitável a Javé" (61: 1-2)E, cerrando o livro, disse-lhes: "Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos". (Lucas 4:21).Conforme já vimos, o surdo, o coxo, o cego, o pobre etc, são simplesmente diferentes maneiras de se referir ao pobre e ao oprimido.Vemos que a pregação de Jesus é uma pregação de libertação. Conhecer a Verdade e ela vos libertará. Assim, trazer a boa nova, conviver com os pobres e oprimidos, significa libertá-los através da palavra falada, dos ensinos, dos exemplos.Jesus trouxe uma profecia quando falou num acontecimento futuro para os pobres. Tal acontecimento não era simplesmente a vinda do reino de Deus, mas a vinda do reino de Deus para os pobres. "Vosso é o Reino de Deus". (Lucas 6:20). A profecia de Jesus está contida no trecho do Evangelho que chamamos de bem-aventuranças:

"Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus.

"Bem -aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados.

"Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir" - (Lucas 6:20-21)

Segundo pesquisas realizadas por vários historiadores, foi Lucas quem preservou a forma mais original do discurso de Jesus. Mateus, no capítulo V, adaptou o discurso profético às necessidades dos ouvintes e leitores da época, que não eram de fato pobres, famintos e miseráveis. Mateus transformou o discurso profético em exortação. Estendeu o conceito a todos os que forem pobres em seu coração, ou que se identificassem com os pobres; a todos os que tiverem fome e sede de justiça; a todos os que imitarem a mansidão e humildade dos pobres; a todos os que estiverem tristes e deprimidos; a todos os que forem perseguidos por sua fé em Jesus; a todos os que forem verdadeiramente virtuosos.

Quem eram verdadeiramente os pobres?

Sintetizamos a lição de Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, O Excelso Canto, no livro Primícias do Reino:

"Os pobres, financeiramente, todos os conheciam. Distendiam as mãos que a miséria estiola.

"Eram pobres, no entanto quantos deles eram possuidores de riquezas do Espírito. Eram ricos de revolta, possuidores de paixões, com grandes cabedais de angústias e mágoas.

"Os ricos possuem moedas, títulos, propriedades, e muitos também possuem espíritos ricos de ambições, de orgulho, de aversão às novas idéias.

"Já os pobres e/ou pobres de espírito, são aqueles que são livres de posses e ambições, amantes da liberdade, são os que lutam pelos direitos alheios, são os idealistas, são os que cultuam a verdade, pois que estão preparados para a Verdade.

"Nada os mantém atados à retaguarda, nem possuem imãs que possam atraí-los à frente.

"São simples, semelhantes às crianças.

"E os que tem fome e/ou fome e sede de justiça?

"Os criminosos não julgados fazem parte de uma caravana infinita e inacabada. Os carros dos guerreiros, dos vândalos, dos prepotentes, dos exploradores, passam velozes sobre as comunidades, deixando viúvas e órfãos ao abandono.

"A injustiça veste os corações, e a indiferença dos legisladores, dos governantes, dos que detém o poder é quase conivência.

"O mundo arde em sede e fome de justiça. O homem se queda esfaimado às portas da Justiça, e nada obtém.

"Mas a Lei se cumpre, e os desvairados retornam, pela reencarnação, aos antigos passos, imolados à loucura e estigmatizados pela crueldade.

"Com a consciência justiçada, corrigida pelo amor, preparam-se para a libertação. Serão saciados."

"Muitos cristãos e também espíritas têm-se enganado a respeito da natureza do reino de Deus, em virtude de algumas traduções do trecho de Lucas 17:21, consignarem erro: "O reino de Deus está dentro de vós". Atualmente todos os exegetas concordam que o texto deve ser: "O reino de Deus está entre vós, ou no meio de vós".

Onde estaria o Reino de Deus? A Doutrina dos Espíritos nos revela a natureza dos mundos habitados, dividindo-os em categorias: mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de expiação e provas, onde domina o mal, tal como acontece na Terra; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, habitados por Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem.

O Reino de Deus realmente é uma sociedade que vem constituir o mundo celeste ou divino, pois que reina exclusivamente o bem. Este o estado ideal que Jesus pregou e demonstrou, e que a Terra poderá um dia alcançar. O Reino de Deus é um fato, pois que Jesus nos fala do povo que entra ou que se recusa a entrar para dentro do reino (Marcos 9:47; 10:15,23,24,25; Mateus 5:20; 7:21; 18:3; 21:31; 23:13; João 3:5).

Nos fala que as pessoas podem se sentar dentro dele e comer e beber dentro dele (Marcos 14:25; 8: 11; Lucas 22:30). Assim, o reino de Deus realmente é uma comunidade. Quando o Reino de Deus vier, o Amor tomará o lugar do mal, e ele, o Amor, governará sobre a humanidade, cujo governo será entregue àqueles que servirem a seus propósitos, na sociedade. O mal será eliminado e as pessoas estarão repletas do Espírito de Amor.

A diferença está entre uma comunidade humana em que o mal reina com supremacia (como hoje na Terra), e uma comunidade humana em que o bem e o amor reinem com supremacia (Mundos Celestes ou Divinos -Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Capítulo III).

A atividade libertadora de Jesus era uma luta contra o mal (Satanás) pelo poder, guerra contra o poder do mal sob todas as suas formas e aspectos. Cada cura que Jesus realizava era como um assalto contra a casa ou reino do mal (Satanás) (Marcos 3:23 a 27). Isso era possível porque algo mais forte que o mal estava agindo. Jesus demonstrava que o bem, o amor é mais poderoso que o mal; estava convencido de que o reino de Deus (do Amor) poderia triunfar sobre 0 reino do mal (Satanás) e que tomaria o lugar desse reino aqui na Terra. A visão de Jesus se espraiava através dos milênios afora, vislumbrando uma sociedade onde o bem estaria presente; exclusivamente o bem.

O Consolador

Naquela noite, do mês de Adar, Jesus após um dia extenuante de caminhadas, olhando para o firmamento como que fitando o futuro da Humanidade, reuniu os companheiros para os ensinar. João anotou seus ensinos no Capítulo XIV:

"Se me amardes guardareis os meus mandamentos".

Havia naquela frase uma condicional: se.

No futuro deveríamos amá-lo para guardar-lhe as lições.

Perpassando os olhos em todos os companheiros, Jesus sente uma interrogação em suas mentes: e se o amando, no entanto esquecessem os ensinos ou os alterassem, deturpando-lhe o sentido?

E Jesus prossegue:

"Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Consolador a fim de que esteja para sempre convosco; O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós".

Dando maior ênfase, a fim de dar-lhes força para sobreviverem nas provações e nas lutas, prossegue Jesus:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito".

Ei-lo chegado, corporificado na Doutrina dos Espíritos, que partindo das próprias palavras do Mestre, é conseqüência direta da sua doutrina. "O Espiritismo, longe de negar ou destruir o Evangelho, vem ao contrario, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza, que revela, tudo quanto o Cristo disse e fez;" (A Gênese -Allan Kardec - Caráter da Revelação Espírita). Com base no desenvolvimento da Doutrina, no seu conteúdo moral, "reconhece-se que a Doutrina dos Espíritos realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado".

"A moral que os Espíritos ensinam é a do Cristo, pela razão de que não há outra melhor." "O que o ensino dos Espíritos acrescenta à moral do Cristo é o conhecimento dos princípios que regem as relações entre os desencarnados e encarnados, princípios que completam as noções vagas que se tinha da alma, de seu passado e de seu futuro, dando por sanção à doutrina cristã as próprias leis da Natureza."

O Espiritismo prepara o homem para os dias do Senhor, entre todos os deserdados, pobres, oprimidos, tal como já conceituamos, da Terra, para o dia de amanhã. A Doutrina dos Espíritos, colocando fim ao reino do egoísmo, ao rei no do orgulho , no reino da incredulidade, ao reino do mal, prepara o reino do bem, que é o reino de Deus, anunciado pelo Cristo. Para a consecução deste objetivo, o Consolador guia e traça rotas a seguir.

Na atualidade, os problemas sociais, morais e políticos, muito pouco diferem dos mesmos problemas existentes nos dias em que Jesus viveu conosco.

Para solucionar os problemas externos busca-se de tudo, enquanto o homem caminha sozinho. em completo desconhecimento. Tudo porque Jesus continua ignorado.

Envergando novas roupas, ocultos sob estranhas denominações, encontramos ainda os mesmos rabinos odientos e fariseus impiedosos; encontramos ainda saduceus astutos e samaritanos detestados: encontramos ainda galileus humildes e levitas arbitrários.

O homem estimulado pela cultura e pela técnica avança no rumo das estrelas, pelo Cosmos afora, mas ainda não penetrou o centro, o cerne, o íntimo do próprio ser. É mais fácil conquistar o exterior, do que a conquista interior sobre si mesmo. Tudo porque Jesus prossegue desconhecido.

Jesus. hoje, na qualidade do Consolador, retorna às paragens humanas, em um momento doloroso, conforme prometera.

Volta, ampliando os conceitos de liberdade, de paz, de justiça e de amor, (apesar de ainda não vividos e vivenciados por todos) - para que na feição do Consolador venha atender a todas as necessidades e fazer secar as nascentes de todas as dores, que o mal insiste em perdurar.

A Doutrina dos Espíritos penetra as mentes e os corações, transformando-se no Amigo Divino, que, como ontem na doce Galiléia, mantém continuada conversação com os que o amam e desejam reencontrá-lo, sem levar em conta o longo caminho a percorrer.

Mas para que tal aconteça é necessário que a Doutrina dos Espíritos seja sentida, vivida e entendida tal como Kardec nos legou. Sem que conceitos estranhos venham deturpar-lhe as bases e princípios. Para isso urge a reforma dos Centros Espíritas, retornando a Kardec, no estudo e na prática.

E como ontem, encontramos fariseus, hipócritas, que tentando manter o amor próprio se colocam astuta e impiedosamente aos ataques grosseiros àqueles que, imbuídos do sentimento de Kardec, procuram levá-lo às casas espíritas.

Sentimento de liberdade, através do conhecimento, do estudo, da razão.

E quando tais ataques partem de companheiros, médiuns, é importante que tenhamos em mente a observação de Kardec, no estudo efetuado na Revista Espírita, l860, página 231, que nos diz: "...a natureza dos Espíritos que assistem a um médium é um dos primeiros pontos a considerar. Para a conhecer (a natureza dos Espíritos) há um critério infalível. O critério está nos sentimentos que o Espírito inspira ao médium. Pela maneira do médium agir, portar-se, pautar sua vida diuturnamente, julgamos a natureza dos Espíritos que o dirigem".

Jesus já nos ensinara: "Seja o seu falar sim, sim; não, não".

Estudemos Kardec, para vivenciarmos Jesus. Somente dessa forma poderemos servir ao Mestre. amando-o e seguindo-lhe nos ensinos.

E Ele que continua desconhecido, sentido e vivido, permanece aguardando por nós.

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