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quarta-feira, 8 de abril de 2009

VAI, E VENDE O QUE TENS, E DÁ AOS POBRES

Se a riqueza tivesse de ser um obstáculo á salvação dos que a possuem, como se poderia inferir de certas expressões de JESUS, interpretadas segunda a letra e não segundo ao espírito? DEUS que a distribui, teria posto nas mãos de alguns um instrumento fatal de perdição, o que repugna á razão. A Riqueza é, sem dúvida uma prova mais arriscada, mas perigosa que a miséria, em virtude das excitações e das tentações que ela oferece, da fascinação que exerce. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço que mais poderosamente liga o homem á terra e desvia os seus pensamentos do céu. Produz tamanha vertigem, que vemos quase sempre os que passam da miséria á riqueza esquecerem-se rápidamente da sua antiga posição, bem como dos seus companheiros, dos que os ajudaram, tornando-se insensíveis, egoístas e fúteis. mas por tornar o caminho mais difícil, não se segue que torne inviável, e não possa vir a ser um meio de salvação nas mãos do que a sabe utilizar, como certos venenos que restabelecem a saúde, quando empregados a propósito e com discernimento.
Quando JESUS disse ao moço que o interrogava sobre os meios de atingir a vida eterna: "DESFAZE-TE DE TODOS OS BENS E SEGUE-ME" Jesus não pretendia estabelecer como princípio absoluto que cada um devia despojar-se do que possui,(ou seja que deveria dar tudo que tinha ao pobres e seguir-o) e que a salvação só se consegue a esse preço, mas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo á salvação. Aquele moço, com efeito julgava-se quite com a lei, porque havia observado certos mandamentos, e no entanto, recuava á ideia de abandonar os seus bens; seu desejo de obter a vida eterna não ia até esse sacrifício. A proposição que JESUS lhe fazia era uma prova decisiva, para por ás claras o fundo do seu pensamento. Ele podia sem dúvida ser um padrão de homem honesto, segundo o mundo, não prejudicar a ninguém, não maldizer o próximo, não ser frívolo nem orgulhoso, honrar ao pai e á mãe. mas não tinha a VERDADEIRA CARIDADE, pois a sua virtude não chegava até á abnegação. Eis o que JESUS quis demonstrar. Era uma aplicação do princípio: "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO."
A consequência daquelas palavras, tomadas na sua mais rigorosa acepção, tomada ao pé da letra, seria a abolição da fortuna, como prejudicial á felicidade futura e como fonte de incontável males terrenos; e isso seria também a condenação do trabalho, que a pode proporcionar, consequências absurda, que reconduziria o homem á vida selvagem, e que por isso mesmo, estaria em contradição com a lei do progresso que é a lei de DEUS.
Se a riqueza é a fonte de muitos males, se excita tantas más paixões, se provoca mesmo tantos crimes. não é a ela que devemos ater-nos, mas ao homem que dela abusa, como abusa de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que poderia ser-lhe mais útil, o que é uma consequência do estado de inferioridade do mundo terreno. Se a riqueza só tivesse de produzir o mal, Deus não a teria posto na Terra. cabe ao homem transformá-la em fonte do bem. Se ela não é uma causa imediata do progresso moral, é, sem contestação, um poderoso elemento do progresso intelectual.
O homem,com efeito, tem por missão trabalhar pela melhoria material do globo. Deve desbrava-lo, saneá-lo, dispo-lo para um dia receber toda a população, que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população, que cresce sem cessar, deve aumentar a produção, se a produção de uma região for insuficiente, precisa ir buscá-la noutra. Por isso mesmo, as relações de povo a povo tornam se uma necessidade e para facilita-las é forçoso destruir os obstáculos materiais que os separam, tornar mais rápidas as comunicações. Para os trabalhos das gerações, que se realizam através dos séculos, o homem teve de extrair materiais das próprias entranhas da terra. Procurou na ciência os meios de executá-los mais rápida e seguramente; mas, para fazê-lo, necessitava de recursos; a própria necessidade o levou a produzir a riqueza, como o havia feito descobrir a ciência. A actividade exigida por esses trabalhos lhe aumenta e desenvolve a inteligência. Essa inteligência, que ele a princípio concentra na satisfação de suas necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais.
A riqueza portanto, sendo o primeiro meio de execução, sem ela não haveria grandes trabalhos, nem actividades, nem estímulo, nem pesquisas; com razão, pois, é considerada elemento do progresso.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

PASSOS SOBRE A AREIA

Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava andando na praia com o senhor, através do céu passavam cenas da minha vida.
Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: uma era meu e outra era do senhor.
Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei pra trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes no caminho da minha vida havia apenas uma par de pegadas na areia. notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver.
Isso aborreceu-me deveras, e perguntei então ao senhor:
"Senhor, tu me disseste que uma vez que eu resolvi te seguir tu andarias sempre comigo, todo o caminho. Notei que durante as maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida apenas um par de pegada. Não compreendo porque nas horas que mais necessitava de ti, tu me deixaste."
O Senhor respondeu:
"Meu precioso filho, eu te amo e jamais te deixaria, nas horas de tua prova e de teu sofrimento.
Quando viste na areia apenas um par de pegada, ai foi o momento em que te carreguei nos braços".
Post imagem: Dreamstime.com

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