segunda-feira, 17 de agosto de 2009

EVANGELHO NO LAR

Disse Jesus: "Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai estou no meio deles". (Mateus 18:22)


O Evangelho no Lar possibilita atender as orientações de Jesus, porquanto se destina ao estudo dos Evangelhos, a fim de melhor compreender os seus ensinos e praticá-los.
Permite um momento de comunhão de idéias e sentimentos entre os familiares e Jesus, objetivando a conquista da harmonia da família.



Permite ainda a formação de um ambiente de paz, propício à elevação espiritual.
Durante O Evangelho no Lar, deve-se estudá-lo metodicamente. Para tal aconselha-se que esse estudo seja feito através da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, porque explica claramente inúmeras passagens evangélicas.


Por este motivo, nessas reuniões, o Evangelho deve ser lido e estudado de forma e seqüente.
Desaconselha-se a sua leitura abrindo O Evangelho ao acaso, evitando-se assim, criar crendices supersticiosas, de que procedendo, os Espíritos abrem na página apropriada para quem o abre, ou para os presentes, pois sabemos que em todas as demais páginas, nos advertem e nos orientam com toda a objetividade.

Lembremo-nos de que O Evangelho no Lar visa possibilitar-nos maiores conquistas morais e espirituais, com ele conseguimos mais facilmente a nossa reforma íntima, o que facilita expurgar as crendices e as superstições que ainda nos acompanham e que tanto nos têm prejudicado.


O Evangelho no Lar deve revestir-se da maior simplicidade, sem uso de qualquer forma exterior, o que daria um cunho de liturgia e de ritual, incompatíveis com o ensino de Jesus e da Doutrina Espírita.

Para a reunião deve-se obter o consenso dos familiares (mas o Evangelho no Lar também pode ser praticado por apenas uma pessoa, caso os familiares não queiram participar), convidando-os a estabelecer para tal um dia da semana, qualquer dia, mas sempre o mesmo. Também se escolherá uma hora, para que estejam presentes, evitando-se assim assumir outro compromisso para aquele dia e hora.A reunião se processará da seguinte forma:



1- Prece inicial: simples, breve, objetiva, de maneira que o coração fale mais alto do que as palavras.

2- Leitura de pequeno trecho do Evangelho: Lido sempre de forma seqüente e metódica.

3- Comentar o trecho lido: comentar não é discutir, e sim expor o pensamento de cada um, da maneira como entendeu. Todos devem participar.

4- Vibrações: Com o recolhimento interior, emitir pensamentos e sentimentos elevados em favor dos que sofrem e para harmonização dos lares desajustados. Vibrar para o próprio lar.

5- Prece e encerramento: as mesmas recomendações feitas para a prece inicial.
As preces, a leitura e as vibrações podem ser feitas em rodízio.



O Evangelho no Lar não é uma sessão mediúnica ou de cura. Estas devem ocorrer nas Casas Espíritas.
O Evangelho no Lar é despojado de qualquer liturgia ou simbologia, por isso desaconselha-se o uso de velas, flores, toalhas brancas, defumadores, cujo uso passa a constituir uma cerimônia religiosa, um culto ou um ritual incompatíveis com a pureza do Cristianismo e da Doutrina Espírita.


O Evangelho no Lar é, na verdade, uma Escola de Jesus em que se aprende a Amar o próximo como a nós mesmos, para amar a Deus sobre todas as coisas.

domingo, 16 de agosto de 2009

AO QUE TEM SE LHE DARÁ

"Dá-se ao que já tem e retira-se ao que não tem".
Meditai sobre esses grandes ensinamentos, que quase sempre vos parecem paradoxais. Aquele que recebeu é o que possui o sentido da palavra divina. Ele a recebeu porque esforçou-se para fazer se digno, e porque o senhor, no seu amor misericórdioso, encoraja-lhe os esforços em direçao ao bem. Esses esforços contínuo, perseverantes atraem as graças do senhor. São como um imã, que atraísse as melhoras progressivas, as graças abundantes, que vos tomam fortes para a subida da montanha sagrada, em cujo cume encontrareis o repouso que sucede ao trabalho.
"Tira-se àquele que nada tem, ou que tem pouco".
Tomai isto como um ensino figurado. Deus não tira das suas criaturas o bem que se dignou conceder-lhes. Homens cegos e surdos! Abri vossas inteligência e vossos corações: procurai ver pelo espírito; compreendei com a alma; e não interpretai de maneira grosseiramente injusta as palavras daquele que fez resplandecer aos vossos olhos a justiça do senhor! Não é Deus quem retira daquele que pouco havia recebido, mas é o seu próprio Espírito, que pródigo e descuidado, não sabe conservar o que tem, e aumentar, fecundando-a, a migalha que caiu no seu coração.
O filho que não cultiva o campo que o trabalho do pai conquistou, para deixar-lhe de herança, vê esse campo cobrir-se de ervas daninhas. Será o seu pai quem lhe tira as colheitas que ele não preparou? se ele deixou a sementeira morrer nesse campo, por falta de cuidado, deve acusar seu pai pela falta de produção? Não, não! Em vez acusar aquele que tudo lhe deu, como se lhe houvesse retomado os bens, deve acusar-se a si mesmo, que é o verdadeiro responsável pela sua miséria, e arrependido e activo entregar-se corajosamente ao trabalho. Que arroteie o solo ingrato, com o esforço de sua própria vontade; que o lavre a fundo, com a ajuda do arrependimento e da esperança; que nele atire, confiante, a sementeira que escolheu como boas entre as más; que o regue com o seu amor e sua caridade; e Deus de Amor e caridade, dará àquele que já tem então, ele verá os seus esforços coroados de sucesso, e um grão a produzir cem, e outro, mil.
Coragem, trabalhadores! Tomai as vossas grades e charraus; arroteai os vossos corações; arrancai deles o joio; semeai a boa semente que o Senhor vos confia, e o orvalho do amor os fará produzir os frutos da caridade.
Um espírito amigo
Bordeaux. 1862

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

CARIDADE COM OS CRIMINOSOS

A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos de Deus para o mundo.
Entre os verdadeiros discípulos da sua doutrina deve reinar perfeitamente fraternidade. deveis amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, para as quais, desde que se arrependam, serão concedidos o perdão e a misericórdia, como para nós mesmos, pelas faltas que cometeis contra a lei.
Pensai que sois mais repreensiveis, mais culpados que aqueles aos quais recusais o perdão e a comiseração, porque eles quase sempre não conhecem a Deus, como o conheceis, e lhe será pedido menos do que vós.
Não Julgueis, meus queridos amigos, porque o juízo com que julgardes vos será aplicado ainda mais severamente, e tendes necessidade de indulgência para os pecados que cometeis sem cessar.
Não sabeis que há muitas acções que são crimes aos olhos do Deus de pureza, mas que o mundo não considera sequer como faltas leves?
A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolação com que as acompanhais.
Não, não é isso apenas que Deus exige de nós! A caridade sublime, ensinada por Jesus, consiste também na benevolência constante, e em todas as coisas, para com o vosso próximo.
Podeis também praticar esta sublime virtude para muitas criaturas que não necessitam de esmolas, e que palavras de amor, de consolação e de encorajamento conduzirão ao senhor.
Aproximam-se os tempos, ainda uma vez vos digo em que a grande fraternidade reinará sobre o globo. Será a lei de Cristo a que regerá os homens; somente ela será freio e esperança, e conduzirá as almas ás moradas dos bem-aventurados.
Amai-vos, pois, como os filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezais a ninguém. Deus permite que os grandes criminosos estejam entre nós, para servirem de ensinamento.
Brevemente, quando os homens forem levados á prática das verdadeiras leis de Deus, esses ensinamentos não serão mais necessários, e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências.
deveis a esses de que vos falo o socorro de vossas preces; eis a verdadeira caridade.
Elizabeth de França
Havre, 1862

terça-feira, 11 de agosto de 2009

VIOLETAS NA JANELA

Violetas na Janela. Um Romance Espirita. Ditado pelo espírito patrícia. Desencarnada aos 19 anos

Psicografia de Vera Lúcia Marinzeck.



Despertando no Mundo Espiritual



Por muitas vezes acordei, para logo em seguida adormecer. Neste período desperta, observei o local onde estava. Era um quarto com paredes claras e uma janela fechada. O local estava na penumbra. Sentia-me extremamente bem. Ouvia a voz de meu pai, ou melhor sentia as palavra;

''Patrícia filha querida dorme tranquila, amigos velam por você. Esteja em paz''

Embora essas palavras fossem ditas com muito carinho, eram ordens. Sentia-me protegida e amparada.





Via-me deitada numa cama alta como as dos hospitais, branca e confortável. Acordava e dormia.



Até que despertei de fato. Sentei-me no leito. Virei a cabeça devagar, observando o quarto, e foi então que vi ao lado do meu leito, sentado numa poltrona, um senhor. Quando o olhei, ele sorriu, agradavelmente.

Apalpei-me ajeitando-me entre os lençois alvos e levemente perfumados. estava vestida com meu pijama azul de malha. Arrumei com as mãos meus cabelos.



"onde será que estou?"-pensei.



Não conhecia o local e nem aquele senhor que, calmamente, continuava a sorrir. Não tive medo e nem me apavorei. Fiquei calada por minutos, tentando entender. até que o risonho senhor me dirigiu a palavra!





-Oi Patrícia Como se sente?

-Bem...



Pensei no meu pai. Senti-o. Interroguei-o mentalmente: "Papai que faço?"- "Calma esteja Tranquila, diante do desconhecido, procure conhecer; nas dificuldades, ache soluções.

Pense em Jesus. O divino mestre é a luz do nosso caminho".

Papai respondeu dentro de mim, era como se pensasse com a voz dele. Senti coragem e ânimo, certamente eras fluidos que me enviava. Confiei. Voltei a cabeça na direcção daquele senhor, olhei-o fixamente e indaguei:
- Como sabe meu nome?
- Patrícia é um lindo nome, conheço-a há tempo.
- Onde estou?
- Entre amigos.

Realmente sentia assim. Estava calma. Ter acordado num lugar desconhecido e com aquele estranho ao meu lado pareceu-me natural. E logo eu, que sempre fui tão caseira e avessa a estranhos. Interroguei-o novamente.

-Como se chama?
- Maurício. Sou amigo de seu Pai.
- É médico? Trabalha em nosso Centro espirita?
Não me respondeu, seu olhar tranquilo dava-me calma. Observei-o detalhadamente. Ruivo, com sardas pelo rosto, olhos verdes, boca grande e sorriso agradável. Deixou que eu o observasse. Minutos passamos em silêncio. Até que ousei perguntar:

- Estou sonhando ou desencarnei?



Indagando

Aquele estranho que, por afinidade, senti ser um amigo a velar por mim, continuava a sorrir. Olhou-me nos olhos. Lembranças de acontecimentos vieram-me á mente.

Ia levantar, era domingo, inverno, final de férias. Sentei-me na cama para trocar o pijama quente por outra roupa, quando senti uma tontura. A cama estava encostada na parede e foi nela que apoiei a cabeça e parecia que algo explodia dentro dela. Estas sensações foram por segundos. Vi e ouvi por instantes, sem definir quem, pessoas ao meu lado.

-" Calma, patrícia, calma"! - alguém falou carinhosamente.
Senti que seguraram minhas mão, como também senti mãos sobre minha cabeça.

- "Dorme, dorme..."

Dormi realmente. As lembranças acabaram como por encanto. O fato é que estava num quarto que não era o meu, e diante de Maurício. Olhei para todos os lados e entendi, não foi preciso ele responde. Maurício somente me ajudou a lembrar. Desencarnei. Estava tão calma que estranhei. Suspirei. o melhor era assumir.
Não sabia que iria desencarnar um dia? Voltei a indagar Maurício, como se fosse um assunto banal:

-Que aconteceu? de que desencarnei?
- Uma veia rompeu no seu cérebro. Tem que haver um motivo para o corpo morrer quando é vencido o prazo de o espírito ficar encarnado. Foi por um aneurisma cerebral.

- Onde estou?
- na colónia São Sebastião. No hospital. na parte de Recuperação.
- Recupero me de quê?
- De nada, você está ótima, aqui está somente para se adaptar. Patrícia lembra de sua avó Amaziles? Ela está aqui e quer vê-la.

A imagem de vovó veio á minha mente. Gostava muito dela. Estivera muito doente, depois piorou e foi para o hospital. Quando desencarnou estávamos, seus netos, a orar para que sarasse.
Ao sabermos que desencarnara, pusemos-nos a chorar.

- "Como"? - minha irmã indagou.- "Estávamos a ora para que sarasse!". Minha mãe respondeu: - "Suas preces foram ouvidas. Jesus, vendo que ela não poderia sarar no corpo, levou-a para que sarasse no Plano espiritual". Senti, sentimos muito seu desencarne. Agora, ali estava ela querendo me ver...
Corrigi meu pensamento: -"Gostava não gosto muito dela!"
- Por favor Maurício, peça-lhe para entrar - disse emocionada.
Vovó entrou no quarto, de mansinho. Estava diferente, mais bonita, esperta e sem seus grossos óculos. beijou-me na testa, e nos abraçamos demoradamente. Meus sentimentos naquele momento ficaram confusos. Senti alegria em vê-la, mas também, tive a certeza de que eu realmente havia desencarnado.
Senti um vazio e um ligeiro medo. Percebendo Vovó sentou-se ao meu lado, no leito. Sorriu feliz e disse:

- Patrícia aqui é lindo! Logo poderei mostrar-lhe lugares maravilhosos. Você está tão bem! tão linda! Necessita de alguma coisa? quer que lhe faça algo? Você...

- Vovó- interrompi,- Como está mamãe? papai? Juninho? Carla e o nené?

Obs: (Juninho e Carla são irmãos de Patrícia, Carla estava gravida do primeiro filho quando Patrícia desencarnou.)

-Estão bem. São espíritas. O Espiritismo dá aos encarnados o entendimento da morte do corpo, e, assim, eles compreenderam os acontecimentos e sabem que seu desencarne lhe trará muitas felicidades. Juninho está bem e Carla também. ainda mais que ira ter um belo menino. seu pai é firme como rocha e seu saber é o leme a dirigir o barco do lar.

- Vovó, eles não sentiram meu desencarne?!
- Sentiram. É claro que todos sofrem sua ausência e se ajudam mutuamente com muita compreensão. Fazem de tudo para mandar a você o caminho e o amor que sentem.
Um dia vocês irão se encontrar, como agora se encontra comigo. Verá que nunca estiveram separados, porque o amor une.

- Vovó, por favor, cuide deles. O senhor também, Maurício. Ajude-os, pois mamãe deve estar triste. Será que chora por mim? Ela poderá não querer se alimentar...

Desde que Vovó entrara no quarto, Maurício ficou sentado na poltrona em silêncio. Como me dirigi a ele, rogando ajuda. tentou tranquilizar-me.
- Patrícia no seu lar terreno eles só nos pedem que cuidemos de você. A menina nos pede para cuidar deles. O carinho sincero que os une é laço forte. Cuidaremos de você e deles.

Estarei sempre aqui e, até que se adapte bem. ficarei em sua companhia. estou encarregado de velar por você.

- Obrigado respondi tentando sorrir, mas acho que fiz foi uma careta.
Foi dando-me um sono, uma vontade irresistível de dormi. deitei. Vovó ajudou-me a acomodar. Meus olhos foram fechando, enquanto os dois sorriam para mim. Vovó me beijou na testa e segurou minha mão.

-Acho que vou dormi...

Trechos fiel de Violetas na janela...

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